sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Três exemplos do poder inegável do Twitter

Se eu tinha alguma dúvida do poder de comunicação do Twitter, acabou!

Basicamente, por três fatos incontestáveis:

1- A cobertura do golpe em #Honduras está em tempo real. As pessoas têm acesso à informação de diversas fontes, que vão da CNN aos meios de comunicação hondurenhos, passando pela mídia brasileira ou TVs venezuelanas.

Há também moradores de Tegucigalpa divulgando notícias e dando suas opiniões ao vivo.

Ou seja, a informação não está mais centralizada nas mãos de um jornal. Todos os meios de comunicação viram fonte de pesquisa para os interessados, que montam sua visão do fato a partir de múltiplas leituras.

A fonte mais importante será a que garantir maior credibilidade.

2- A tag #tuiteumfilme passou parte da tarde de 25 de setembro de 2009 com um ritmo de atualização fora do comum – cerca de 400 novas mensagens por minuto!!! Interatividade e criatividade coletiva pura.

3- Conheci o site winfluence.com, que mostra estatísticas do Twitter.

Apenas como um teste, analisei o twitter do @pauloteixeira13. O deputado federal tem cerca de 1.100 seguidores, mas atinge 1 milhão e 300 mil seguidores de segunda ordem (pessoas que entram em contato com as mensagens por meio de outros usuários).

Urge aprofundar os estudos sobre as potencialidades sociais e políticas dessa fantástica ferramenta.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

ENQUETE: Qual o melhor Presidente eleito democraticamente no Brasil?

Vote na enquete criada utilizando o sistema pollpigeon.comexclusivo para usuários de Twitter.

As opções são somente os Presidentes que chegaram ao poder com voto popular e de forma realmente democrática:

* Eurico Gaspar Dutra
* Fernando Collor
* Fernando Henrique Cardoso
* Getúlio Vargas
* Jânio Quadros
* João Goulart
* Juscelino Kubitschek
* Luiz Inácio LULA da Silva

Jango está na lista porque ele venceu a eleição para Vice-Presidente e, depois, o plesbicito para fim do Parlamentarismo no Brasil, que na prática o colocou a frente do Poder Executivo.

Todos os outros Presidentes da República chegaram ao poder por meio de golpes de Estado, juntas provisórias, eram vice-presidentes, venceram por meio de eleições ilegítimas ou não-democráticas (como a era do Café-com-Leite), ou coisas do tipo.

VOTE VOCÊ TAMBÉM:

http://pollpigeon.com/qual-o-melhor-presidente-eleito-democraticamente-no-brasil/r/22656/

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Lançamento da Frente Parlamentar em Defesa da Internet e MegaNão em Brasília



Os atos públicos contrários ao AI-5 Digital do Senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) recomeçam amanhã, 26 de agosto, em Brasília.

O Mega Não! está marcado para às 19 horas no Complexo Cultural da República (Museu / Biblioteca Nacional / Praça das Bicicletas) - Esplanada dos Ministérios.

Será uma manifestação política a favor da liberdade e o contra o vigilantismo.

Durante o ato será lançada a Frente Parlamentar em Defesa da Liberdade na Internet, com presença do Deputado Paulo Teixeira e Deputada Manuela D'Ávila.

Mais informações: http://meganao.wordpress.com

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Coreia do Sul para principiantes 5

"Você já almoçou hoje?"

Essa é uma tradução literal do coreano para o português. A explicação é que a Coréia passou por períodos de fome, e a língua adotou no cumprimento a idéia de que sem fome, está tudo bem. Uma boa tradução para o português seria: "Tudo bom?"

É uma frase normal na Coréia, quem achou o cumprimento enigmático, imagine o que eles acham da resposta ocidental. Esse é apenas um exemplo de como as coisas são diferentes na Coréia. A tradução automática perde as nuances e o sentido. A sensação da diferença aqui é constante para nós brasileiros. É como, de fato, no outro lado do mundo, viver de cabeça para baixo.

Então, seguem algumas dicas do que se esperar na Coréia:

Os sabores são estranhos. No Brasil, você classifica s alimentos principalmente entre doces e salgados. Na Coréia, qualquer alimento é doce e salgado ao mesmo tempo, e nem muito um nem outro, inclusive os salgadinhos.

Come-se muito macarrão instantâneo, prepare-se para enjoar de tanto comê-lo, inclusive do Jajamion. Os potes de macarrão instantâneo são coloridos de acordo com o nível de pimenta, vermelho sendo bem forte. Dentro do pote, existem saquinhos separados para os vegetais desidratados, molho, queijinho ou pimenta. O gosto da pimenta vermelha também enjoa, dá para dosar a quantidade, mas fica tudo meio sem gosto se você coloca pouca.

O arroz é sempre aquele grudadinho. Ele solta se você colocar algum molho. Alguns pratos ensopados são para se derramar por sobre o arroz. Fica difícil de pegar com os pauzinhos o arroz soltinho, às vezes eles comem com a colher.

Coreanos adoram quando você come Kimchi. Apesar de ser geralmente muito forte e apimentado, e eu não ter gostado no geral, o Kimchi pode vir de várias formas, e algumas são bem mais gostosas.

É normal você ouvir um grupo falando "Oohh" ao te ver preparando algum alimento de forma correta. É um cumprimento, mesmo quando te dá a impressão de que você fez alguma coisa errada. Acho que existam sutilezas no tratar com os alimentos que demonstram boa educação quando feitas corretamente.

Entregar qualquer coisa para um coreano é feito com as duas mãos, cartões de visita com o escrito virado para ele. Isto é percebido como uma forma respeitosa de entrega. Recebe-se também com as duas mãos, ou com uma das mãos segurando levemente o braço da mão que recebe. Procede-se do mesmo jeito com dinheiro, bebidas, chá, café e água.

Em alguns restaurantes e casas, você retira os sapatos na entrada e anda de meias ou descalço. Nos estabelecimentos com banheiro, o banheiro é posicionado estrategicamente, às vezes te oferecem um chinelo para você não precisar achar seu sapato para ir ao banheiro.

Cumprimentar as pessoas inclinando a cabeça e corpo é comum no oriente, há pouco contato físico. Os coreanos que conhecem melhor os hábitos ocidentais irão estender as mãos, mas são poucos. Após um tempo você começa a estranhar o aperto de mão. Beijo no rosto, nem pensar.

A maioria destas coisas, nós ocidentais aqui, acabamos fazendo certo porque é assim que deve ser feito, nós simplesmente copiamos. Não dá tempo, em dois meses, para aprender as sutilezas do respeito ou da educação oriental. Mas a cópia já pega bem.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Para os americanos alienados

Há um bar chamado J-Rock, que serve de ponto de encontro para os professores de inglês na Coréia. Estudantes de várias nacionalidades se comunicam usando o inglês, e em alguns casos, há pessoas lá que falam inglês muito bem.

Entre brasileiros é costume se falar o português brasileiro, se não por outro motivo, porque é muito difícil encontrar alguém falando português na Coréia do Sul. E o Brasil é do outro lado do mundo, são exatos 12 fusos de diferença de Brasília, e no hemisfério oposto.

Para um estudante de inglês é muito difícil descobrir que raio de língua estamos falando um com o outro. Não se parece com espanhol, italiano ou russo. Pela nossa cara não parece finlandês, norueguês, sueco, japonês, na verdade português não se parece com língua nenhuma. Um indiano pensou até que fosse francês.

E ao falar inglês, um iraquiano no J-Rock também não conseguiu nos posicionar geograficamente. Ficou nervoso quando um colega brasileiro tentou abordá-lo. Sorte que outra pessoa foi perguntar o que tinha acontecido e ele respondeu "não gosto de americano". Explicada a nacionalidade ele ficou bem mais à vontade conosco, riu e conversou.

Me contaram isso, não participei, acho que ainda bem, já bastava a confusão. O que me deixa irritado nisso, é que nós brasileiros somos americanos também: somos sul-americanos da América do Sul e americanos das Américas.

Já é um absurdo a população do México e do Canadá não poderem se declarar norte-americanos. Mas o cúmulo da cara de pau mesmo, é o povo dos EUA ter começado a se autodenominar de norte-americanos para simplesmente americanos, e alienar o direito de ser reconhecido pelo mundo como americanos os povos de diversos países em três continentes.

Porque diabos os estadunidenses não se declaram estadunidenses em vez de americanos, da mesma forma que nós nos declaramos brasileiros? Me soa estranho e injusto, ter que negar ser americano, e por ser americano ser entendido como nascido em um país que nem fala português.

Talvez funcione dar uma de bobo, se alguém se apresentar como americano, perguntar de que América. E norte-americano de que país. "Americano? Que legal, eu também, da América do Sul, nasci no Brasil. E você?" Não importa se não entenderem o porquê.

PS: Parabéns aos sul-africanos que se apresentam assim.

domingo, 16 de agosto de 2009

Coreia do Sul para principiantes 4

Almoçar no restaurante coreano é sempre uma aventura. O menu é todo em coreano, sem fotos. Você lê em voz alta os caracteres que compõem o nome de um prato qualquer. Se o prato terminar em bab (밥) é porque ele tem arroz, se terminar em mion (면), é porque tem macarrão, o terceiro ingrediente identificável no prato, pelo menos por mim, é o mandú (만두), que é um bolinho com recheio de vegetais e carne, parecido com o gyoza japonês.

Aí você chega no caixa e fala em péssimo coreano o nome de um prato qualquer. A atendente, para confirmar, repete o que você acabou de falar numa pronúncia correta de dar inveja, e você responde sim. Importante: balançando a cabeça.

Em seguida você torce para ela não perguntar mais nada, mas de vez em quando, mesmo assim, ela fala um monte de coisas que você não entende. Eu aprendi que funciona você fazer um sinal de pequeno com a mão e responder sim balançando a cabeça, se você quiser, pode responder qualquer coisa em português mesmo, não importa. Por fim ela escreve o preço num papel ou numa calculadora, te mostra e você paga.

Eu não sei o que eles entendem com o sinal de pequeno ou com o sim, mas eu sei que existem dois tamanhos de porção e o pequeno é suficiente para mim. As atendentes sempre fazem uma cara de não entendi, mas o que se há para explicar? Você nem sabe o que está pedindo... O importante é manter uma postura firme e afirmativa, para a atendente não sugerir outro prato qualquer, que para sua confusão no futuro, você acabaria aceitando.

A parte mais legal da aventura está para começar. Senha na mão, os minutos passam, seu prato é colocado no balcão, seu número aparece no display eletrônico. Para receber o prato, a atendente precisa apontá-lo para você, é claro. Depois de olhar o prato, você provavelmente ainda não vai ter a menor idéia do que é, mas vai saber se é um prato gelado, quente, com frutos do mar, algas, peixe, carne ou severamente apimentado.

A pimenta consumida na Coréia parece ter feito de tudo para não ser comestível, todo esse esforço em vão. E existem pratos apimentados que os coreanos também evitam, porque são muito fortes. Caso o prato tenha vindo vermelhinho e fumegante, quente em todos os sentidos, os acompanhamentos de praxe são o arroz grudento, numa cumbuca de metal, e o chá, num copinho de metal.

A fome se encarrega do resto. Parafraseando meu colega Paulo Pastore, trabalhando numa margem de erro de 20% (o que quer que isso signifique), esse método tem dado certo. E a aventura é sempre emocionante.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Coréia do Sul para principiantes 3.

É fácil, na Coréia, saber onde estão os estabelecimentos comerciais, você os identifica pela poluição visual. São dezenas de placas umas por cima das outras, cheias de caracteres coreanos. O difícil é entender nas placas o que está escrito, pelo menos para nós, analfabetos funcionais.

O alfabeto coreano (hangul) tem uma história conhecida. Foi apresentado pelo Rei Sejong, O Grande, em 1443, e simplificado ao longo dos séculos. A coleção de caracteres obsoletos hoje é bem maior que a dos caracteres correntes. Sua criação teve vários objetivos. À época, a Coréia usava caracteres chineses, o que tornava o aprendizado da escrita muito trabalhoso. Além disso, com significados diferentes dos mesmos caracteres usados na China, o que causava grande confusão para a pequena parcela alfabetizada da população.

Não acredito que o povo tenha ido às ruas para protestar por uma maneira de escrever mais simples. E provavelmente não foi fácil convencer os alfabetizados a desprezarem o fruto de anos de dedicação, e que no fundo é um diferencial de status social. Mas com o peso da propaganda real de um lado, e do outro aprender 4 mil caracteres Chineses, só para mandar uma carta de vez em quando, falando mal desse ou daquele cara, a adoção do hangul era uma boa opção. E o resultado é que desde então ficou fácil ensinar a ler e escrever na Coréia, o que aumentou muito o índice de alfabetização.

Hoje, você encontra bastante material de ensino na internet. Além de simples, o alfabeto é interessante, as letras de uma sílaba são agrupadas num bloco, então é um dos poucos que possui um algoritmo de compressão. Em menos de uma semana você começa a ler sem entender, ou seja, você deixa de ser um analfabeto completo e passa a ser apenas um analfabeto funcional, mas isso já ajuda muito.

Em relação à brasileira, a língua coreana tem menos consoantes. Como o português usa acentos, existe uma certa correlação nos sons das vogais. O problema é que os materiais de ensino se encontram na maioria em inglês, que tem poucas vogais e nenhum acento. Como língua, o inglês é um intermediário terrível.

Nos computadores também. O teclado coreano tem os caracteres desenhados junto com letras arábicas sem nenhuma correlação de som. Para um ocidental o melhor a fazer é colocar o teclado num modo em que o som, em inglês, reproduziria mais ou menos o que ele escreve. Por exemplo, 자자면, em português pronuncia-se djadjamion, escreve-se no teclado "ja ja myeon", e é um prato muito gostoso.

PS: Mion é macarrão. Djadjamion é macarrão, coberto com um molho escuro agridoce, não apimentado. O molho original é chinês, mas foi modificado pelos coreanos até ficar com um sabor completamente diferente.