terça-feira, 18 de agosto de 2009

Para os americanos alienados

Há um bar chamado J-Rock, que serve de ponto de encontro para os professores de inglês na Coréia. Estudantes de várias nacionalidades se comunicam usando o inglês, e em alguns casos, há pessoas lá que falam inglês muito bem.

Entre brasileiros é costume se falar o português brasileiro, se não por outro motivo, porque é muito difícil encontrar alguém falando português na Coréia do Sul. E o Brasil é do outro lado do mundo, são exatos 12 fusos de diferença de Brasília, e no hemisfério oposto.

Para um estudante de inglês é muito difícil descobrir que raio de língua estamos falando um com o outro. Não se parece com espanhol, italiano ou russo. Pela nossa cara não parece finlandês, norueguês, sueco, japonês, na verdade português não se parece com língua nenhuma. Um indiano pensou até que fosse francês.

E ao falar inglês, um iraquiano no J-Rock também não conseguiu nos posicionar geograficamente. Ficou nervoso quando um colega brasileiro tentou abordá-lo. Sorte que outra pessoa foi perguntar o que tinha acontecido e ele respondeu "não gosto de americano". Explicada a nacionalidade ele ficou bem mais à vontade conosco, riu e conversou.

Me contaram isso, não participei, acho que ainda bem, já bastava a confusão. O que me deixa irritado nisso, é que nós brasileiros somos americanos também: somos sul-americanos da América do Sul e americanos das Américas.

Já é um absurdo a população do México e do Canadá não poderem se declarar norte-americanos. Mas o cúmulo da cara de pau mesmo, é o povo dos EUA ter começado a se autodenominar de norte-americanos para simplesmente americanos, e alienar o direito de ser reconhecido pelo mundo como americanos os povos de diversos países em três continentes.

Porque diabos os estadunidenses não se declaram estadunidenses em vez de americanos, da mesma forma que nós nos declaramos brasileiros? Me soa estranho e injusto, ter que negar ser americano, e por ser americano ser entendido como nascido em um país que nem fala português.

Talvez funcione dar uma de bobo, se alguém se apresentar como americano, perguntar de que América. E norte-americano de que país. "Americano? Que legal, eu também, da América do Sul, nasci no Brasil. E você?" Não importa se não entenderem o porquê.

PS: Parabéns aos sul-africanos que se apresentam assim.

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